Nada se cria, tudo se transforma.

Nada se cria, tudo se transforma.

É difícil saber quais empresas ou ramos de atuação são os mais “odiados” pelos consumidores. Empresas de telefonia? Empresas de TV a cabo? Alimentação? Enfim, a lista é grande, mas um deles, com certeza, se destaca: os bancos. Acusados de péssimo atendimento, lucros exorbitantes, exploradores – por parte dos funcionários, burocráticos, chatos, entre outros adjetivos (cada vez menos agradáveis) estas instituições conseguiram fazer fortunas – mas muito dinheiro mesmo – prestando serviços que nem sempre agradavam seus clientes. Não é raro, por exemplo, histórias entre amigos e familiares de problemas com estas instituições, muitas vezes sem solução.

Mas parece que o “to nem aí” dos bancos finalmente chegou ao fim e o que antes are apenas uma formiguinha entre os gigantes do setor, em quatro anos, está tirando o sono de muito bancário por ai. É o caso do Nubank. A proposta era muito simples. Um cartão de crédito sem agência, sem papel, sem gerente, sem burocracia, que você controla pelo celular, ou seja, um cartão de crédito. E pegou. Em quatro anos a Nubank já contabiliza mais de 2,5 milhões de clientes e outros 13 milhões na fila de espera, tirando cerca de R$1,4 bilhão em taxas, que antes ia direto para o bolso dos grandes bancos.

É difícil dizer que o Nubank vai acabar com estas instituições. Isso por que quando dizemos “grandes” estamos dizendo grandes mesmo. Os cinco maiores bancos do Brasil tiveram juntos, em 2016, um lucro liquido de 69,9 bilhões. Somente o Itaú Unibanco foi responsável por 23,8 bilhões e isso em plena recessão. No mesmo período o Nubank reportou um prejuízo de R$ 122 milhões.

O fato é: É melhor prevenir do que remediar e os bancos já perceberam que o Nubank, apesar de ainda ser pequeno, é tendência e startou uma corrida sem precedentes para tentar abocanhar este novo mercado. O problema, porém, não é tão simples quanto parece e isso por diversos fatores: Os bancos fizeram fortunas cobrando taxas e não podem simplesmente dizer “ok, não vamos mais cobrar taxas”. Isso significaria um colapso no sistema e talvez, justamente por isso, o Nubank ainda não conseguiu gerar lucro. Outro ponto, é que estas instituições possuem também estruturas de agências bancárias caras e pesadas para o orçamento, que não podem simplesmente desaparecer. Além disso, os bancos ainda são instituições mais completas que oferecem serviços de investimentos, financiamentos, empréstimos, entre diversos outros, que necessitam de uma estrutura mais complexa. Mas o que parece mesmo ser a grande cereja do bolo é o marketing.

Veja, não é apenas o serviço que o Nubank oferece que encanta os consumidores. É legal não ter toda essa burocracia dos grandes bancos, mas, no fundo, ele é só um cartão de crédito como qualquer outro. Como então ele conseguiu transformar um produto financeiro em um dos mais cobiçados por jovens a ponto de criar uma fila de espera de 13 milhões de pessoas? Marketing.

O Nubank é moderno, descolado, abraça causas sociais sem medo, é simples, é… enfim, tudo que os jovens querem de uma empresa e, de quebra, conseguiu o que sempre foi o sonho de qualquer cartão Black do mercado: que aquele seu amigo falasse “uauu um cartão Nubank, deixa eu ver” quando você tirasse o seu Nubank da carteira para efetuar um pagamento. Detalhe que os cartões Black queriam fazer isso cobrando taxas que são verdadeiras fortunas. Um cartão Black do Itaú, por exemplo, possui taxa anual de 12x R$75,00. Isso mesmo, incríveis R$900,00.

Porém, os dias de glória do Nubank podem começar a ficar nebulosos. Isso por que a corrida para este mercado já começou e com toda estrutura, expertise e principalmente dinheiro que os bancos possuem, não demorará muito para que soluções até melhores que o Nubank comecem a aparecer. Um exemplo muito claro disso foi o Next do Bradesco. Lançado em junho deste ano, o Next é um banco 100% digital, que oferece cartão de crédito e é claramente direcionado ao publico jovem. Apesar de cobrar taxas (R$9,95 para o cartão e R$10,00 para a conta), elas são levemente menores que os valores cobrados pelos bancos e oferecem serviços que… convenhamos, são muito legais.

A integração banco X cartão na verdade, traz muitos benefícios e era até então um grande problema da Nubank. Era por que em outubro deste ano ela anunciou a criação da Nuconta, que busca justamente expandir os serviços oferecidos pela empresa e solucionar alguns entraves mais complicados – um deles, por exemplo, era justamente a concessão de crédito. Porém, mesmo assim, ainda será difícil competir. O Next oferece serviços como saque em toda a rede de agências Bradesco e Banco 24 Horas, coisa que o Nubank está longe de conseguir. Ele também foi agressivo nas parcerias, oferecendo descontos e vantagens em empresas de peso como Uber, Lolla Paloza, Iplace, Cinemark, entre outras, e não são aqueles descontinhos não. São descontos de verdade. Só no Cinemark, por exemplo, você ganha 50% de desconto. Pra quem não tem carteirinha de estudante, só essa diferença já é suficiente pra bancar todas as taxas do cartão e da conta, ou seja, vale a pena.

Mas o grande diferencial está mesmo na comunicação. Talvez não seja tão diferente do Nubank, que possui uma comunicação moderna, mas comparada com os demais bancos e cartões… sério.. é lindo. Da vontade de beijar esse cartão. Eu resolvi escrever este texto, por que quando conheci o Next e comentei com meus colegas de trabalho sobre ele, ficamos cerca de meia hora olhando o site e falando o quão assertivos eles foram ao lançar este produto. O quão lindo é a comunicação que eles utilizaram e o quanto isso significa para o futuro das instituições financeiras, do design, das marcas, das empresas, enfim. O primeiro cartão de crédito a chegar ao Brasil foi o Diners em 1956 e até hoje o design é capaz de transformar o mesmo produto de 61 anos atrás em algo completamente novo. O design aqui foi capaz de transformar algo odiado por grande parte da população em algo que… “eu quero”. E isso serve de exemplo não só para bancos, mas para qualquer negócio. É como dizem: nada se cria, tudo se transforma.

Post A Comment